Os 40 anos de Lady Gaga: a artista que reinventou o pop e transformou dor em potência
Ela agora é “quarentona”! Lady Gaga assopra as velinhas neste sábado (28/3) e completa 40 anos de idade. Consolidada como uma das artistas mais influentes do século 21, Stefani Joanne Angelina Germanotta construiu uma trajetória rara. Ela virou fenômeno pop global, acumulou prêmios de elite na música e no audiovisual e fez da própria imagem uma linguagem artística. Além disso, usou de suas fragilidades pessoais para ser reconhecida no meio, sem minimizar dores e vivências pesadas.
Na música, Gaga chegou ao topo com o álbum “The Fame”, em 2008. As canções “Just Dance” e “Poker Face” atingiram o topo da parada estadunidense e a projetaram mundialmente. Mas foi a combinação de reinvenção estética, apelo popular e ambição conceitual que a fez ultrapassar o rótulo de cantora pop. Ao longo da carreira, ela soma 16 vitórias no Grammy, incluindo conquistas por álbuns como o seu primeiro lançamento, pelas incursões no jazz com Tony Bennett e, mais recentemente, por “MAYHEM”, disco de 2025.
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Os números ajudam a dimensionar esse tamanho. De acordo com o Guinness World Records, Gaga foi a primeira artista feminina a alcançar três singles com mais de 10 milhões de cópias vendidas mundialmente: “Just Dance”, “Poker Face” e “Bad Romance”. Depois, ela ampliou essa marca com “Shallow”, tornando-se a primeira mulher a chegar a quatro canções nesse patamar.
Em 2025, a artista viveu uma nova onda de sucesso comercial. Depois de experimentar outros vários gêneros musicais, como jazz, rock e country, o dueto “Die With a Smile”, com Bruno Mars, rendeu mais um Grammy. A estatueta a ajudou a reafirmar sua capacidade de atravessar gerações e fases da indústria sem perder relevância. No ciclo atual, o site oficial do Grammy passou a listá-la como vencedora de 16 estatuetas, prova de uma carreira que segue em expansão mesmo depois de quase duas décadas no centro da cultura pop.
Mas Gaga não se limitou à música. No cinema, a virada definitiva veio em 2018, com o filme “Nasce Uma Estrela”. Além de receber indicação ao Oscar de melhor atriz, ela venceu a estatueta de melhor canção original por “Shallow”. A trilha do filme estreou no topo da Billboard 200, dando à cantora seu quinto álbum número 1 na parada à época.
O impacto daquele período foi histórico. Em 2019, Gaga se tornou a primeira pessoa a vencer Grammy, Oscar, BAFTA e Globo de Ouro no mesmo ano, façanha destacada pelo próprio Grammy. No Globo de Ouro, ela já havia vencido antes por “American Horror Story: Hotel”, minissérie transmitida entre 2015 e 2016 em que atuou em papéis principais como Elizabeth Johnson e A Condessa. Poucas estrelas pop migraram para a atuação com tanta rapidez e credibilidade. Depois de “Nasce Uma Estrela”, Gaga emendou “Casa Gucci” e “Joker: Delírio a Dois”.
Impacto na cultura pop
A construção de sua imagem pública sempre funcionou como uma extensão visceral de sua arte. Impossível falar de seu impacto na cultura sem citar o icônico vestido de carne crua usado no VMA de 2010. Muito além do valor de choque inicial, a peça era um protesto político direto contra a política excludente das Forças Armadas dos Estados Unidos (“Don’t Ask, Don’t Tell”). Esse ativismo prático cimentou sua relação inabalável com a comunidade LGBTQIAPN+.
Para Gaga, esse público nunca foi encarado como um mero nicho de mercado, mas sim como a espinha dorsal de sua trajetória e seu maior refúgio, uma aliança de vida eternizada em hinos de empoderamento. Por trás de tantas conquistas e figurinos grandiosos, a artista também precisou aprender a lidar com dores incapacitantes. Diagnosticada com fibromialgia, uma síndrome crônica que causa dores intensas e fadiga por todo o corpo, ela transformou a própria vulnerabilidade em força motriz.
A resiliência da artista ficou marcada na história de Hollywood durante seu emocionante discurso no Oscar de 2019. “Se você está no sofá assistindo a isso, tudo o que tenho a dizer é que isso é trabalho duro. Não é sobre ganhar, é sobre não desistir. Se você tem um sonho, lute por ele”, declarou a estrela, em lágrimas, segurando a estatueta.
O brilho de Lady Gaga segue crescendo
Com a chegada aos 40 anos, a cantora também tem usado seu alcance para combater o etarismo, um problema ainda profundamente enraizado na indústria do entretenimento. Em diversas entrevistas recentes, ela rechaçou a narrativa cruel de que mulheres na música pop possuem prazo de validade.
Ao abraçar a maturidade sob os holofotes, Gaga tem provado que envelhecer é uma oportunidade para refinar a própria arte, recusando-se a ceder às pressões estéticas inatingíveis cobradas das artistas veteranas. Essa montanha-russa de superações físicas e emocionais também define a relação passional da estrela com o Brasil.
Após arrastar multidões na inesquecível “Born This Way Ball Tour”, em 2012, uma crise severa de fibromialgia a forçou a cancelar sua aguardada participação no Rock in Rio de 2017 às vésperas do show. O caso gerou o fatídico e doloroso tuíte: “Brazil, I’m devastated” (Brasil, estou devastada”).
A ferida com o público brasileiro, no entanto, foi finalmente curada com o seu retorno triunfal ao país em 2025, selando as pazes de forma épica e reafirmando seu amor por um dos fã-clubes mais devotos do planeta. Lady Gaga fez um show brilhante nas areias de Copacabana, no Rio de Janeiro, e arrasou milhões de Little Monsters para celebrar esse momento tão marcante e especial.








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