Seja bem-vindo
Aparecida,21/02/2026

  • A +
  • A -

Meta registra IA que continua postando após morte do usuário

jaimaginouisso.com.br
Meta registra IA que continua postando após morte do usuário

Imagine abrir uma rede social e ver uma nova postagem de alguém que já morreu. A foto parece real. O texto tem o mesmo estilo. As respostas aos comentários também. Para quem acompanha de fora, tudo parece normal.


Mas a pessoa não está mais aqui.


Esse cenário, que até pouco tempo parecia coisa de ficção científica, já está sendo estudado por grandes empresas de tecnologia. A Meta registrou uma patente que descreve um sistema de inteligência artificial capaz de continuar interagindo nas redes sociais em nome de um usuário, mesmo após sua ausência ou morte.


A ideia levanta uma pergunta que vai muito além da tecnologia: até onde deve ir a presença digital de alguém?


A Meta registrou uma patente que descreve um sistema de IA que continua interagindo, mesmo após a morte do usuário
A Meta registrou uma patente que descreve um sistema de IA que continua interagindo, mesmo após a morte do usuário



Como funcionaria a presença digital pós-vida?


De acordo com o documento, o sistema seria baseado em grandes modelos de linguagem, capazes de aprender o estilo de escrita, comportamento e preferências do usuário a partir do histórico de publicações.


Na prática, a IA poderia:




  • Publicar conteúdos automaticamente




  • Curtir e reagir a posts




  • Responder comentários e mensagens




  • Simular conversas por texto




  • Em alguns casos, até reproduzir voz ou imagem em chamadas




A proposta inicial não foi pensada apenas para casos de falecimento. A tecnologia também poderia ser usada por influenciadores ou profissionais que desejam se afastar temporariamente das redes sem perder engajamento.


Mas o próprio documento reconhece que o impacto muda completamente quando o usuário não pode mais voltar.



Quando a presença digital continua ativa após a morte, a experiência deixa de ser técnica e passa a ser profundamente emocional.



Segundo a empresa, não há planos atuais para desenvolver ou lançar esse sistema
Segundo a empresa, não há planos atuais para desenvolver ou lançar esse sistema



A Meta vai lançar essa tecnologia?


Segundo a empresa, não há planos atuais para desenvolver ou lançar esse sistema. No entanto, o registro da patente garante os direitos sobre a ideia caso ela seja explorada no futuro.


E o fato de a tecnologia estar sendo considerada já foi suficiente para reacender debates importantes sobre privacidade, identidade digital e os limites da inteligência artificial.


Porque, na prática, essa não é apenas uma questão de inovação.


É uma discussão sobre memória, luto e até sobre o significado da ausência.


O que são os “deadbots”?


O conceito já existe fora das grandes empresas. Startups vêm desenvolvendo sistemas conhecidos como deadbots, que usam inteligência artificial para recriar a personalidade de pessoas falecidas.


Essas versões digitais são treinadas com:




  • Mensagens antigas




  • Áudios e vídeos




  • Publicações em redes sociais




  • Conversas pessoais




O objetivo pode variar. Para alguns, a tecnologia serve como forma de preservar memórias. Para outros, funciona como uma tentativa de manter o vínculo emocional.


Mas especialistas em saúde mental alertam que esse tipo de recurso pode dificultar o processo natural de luto.



Quando a tecnologia simula presença, o cérebro pode ter dificuldade em aceitar a ausência.



Para alguns, a tecnologia serve como forma de preservar memórias
Para alguns, a tecnologia serve como forma de preservar memórias



O debate ético: memória ou manipulação?


A discussão sobre IA e pós-vida envolve diferentes áreas: direito, psicologia, tecnologia e até filosofia.


Entre as principais preocupações estão:




  • Quem autoriza o uso dos dados após a morte?




  • Quem controla a identidade digital da pessoa?




  • A IA poderia dizer algo que a pessoa nunca diria?




  • Até que ponto isso respeita a memória do falecido?




Outro ponto sensível envolve o uso comercial. Perfis que continuam ativos poderiam gerar engajamento, audiência e até receita, o que levanta questionamentos sobre exploração da imagem.


Não por acaso, celebridades já começaram a proteger legalmente sua voz, rosto e identidade para uso após a morte.


A vida digital já faz parte do legado


Hoje, cada pessoa deixa um enorme rastro digital: fotos, vídeos, conversas, textos, opiniões e memórias armazenadas em servidores.


Isso transformou a herança digital em um novo tema de planejamento pessoal. Especialistas recomendam que as pessoas definam em vida o que deve acontecer com seus perfis, arquivos e dados.


Algumas plataformas já permitem:




  • Transformar perfis em memoriais




  • Nomear um contato herdeiro




  • Solicitar a exclusão de contas




A inteligência artificial, porém, leva essa discussão para outro nível.


Porque não se trata mais apenas de guardar lembranças.


Trata-se de recriar comportamentos.


O futuro da presença digital


A tecnologia avança rapidamente, mas a sociedade ainda está tentando entender seus limites. O que é tecnicamente possível nem sempre é emocionalmente saudável ou eticamente aceitável.


A ideia de uma versão digital que continua ativa após a morte pode parecer reconfortante para alguns e perturbadora para outros.


Talvez a pergunta mais importante não seja se a tecnologia vai existir.


Mas se nós, como sociedade, estamos preparados para ela.


No fim das contas, a inteligência artificial pode simular palavras, imagens e respostas.


Mas ainda não consegue substituir algo essencial.


A ausência real que define a memória humana.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.