Surge nova variante da varíola mpox em 2 países, admite OMS
Imagine um vírus que, em vez de apenas evoluir lentamente, resolve misturar partes do seu próprio material genético com outra versão de si mesmo. Parece roteiro de ficção científica, mas é exatamente isso que chamou a atenção de cientistas nas últimas semanas.
Uma nova variante da mpox, doença que ganhou destaque global nos últimos anos, foi identificada em dois casos isolados no Reino Unido e na Índia. A descoberta colocou a Organização Mundial da Saúde em alerta. Mas, ao contrário do que muitos poderiam imaginar, o cenário ainda não é de alarme.
A preocupação existe. O risco global, por enquanto, não mudou.

O que é essa nova variante da mpox?
A nova forma do vírus é chamada de variante recombinante. Isso significa que ela surgiu da combinação genética entre duas linhagens diferentes da mpox, conhecidas como clados Ib e IIb.
Esse tipo de fenômeno ocorre quando uma mesma pessoa é infectada simultaneamente por duas variantes relacionadas. Durante a replicação, os vírus podem trocar partes do material genético, criando uma nova versão híbrida.
No caso identificado pela OMS, análises genéticas indicam que os dois pacientes foram infectados pela mesma variante recombinante, embora os diagnósticos tenham ocorrido com algumas semanas de diferença.
Esse detalhe levanta uma hipótese importante: a nova cepa pode estar circulando mais amplamente do que os registros atuais mostram.
Os sintomas da mpox (anteriormente conhecida como varíola dos macacos) incluem febre alta, dores musculares, ínguas (linfonodos inchados), dor de cabeça, exaustão e o surgimento de lesões na pele, que evoluem de manchas para bolhas dolorosas, focadas no rosto, genitais, palmas das mãos e plantas dos pés. Os sintomas geralmente duram de 2 a 4 semanas.

Sintomas da mpox
Sintomas Principais e Evolução:
Início (fase prodrômica): Febre súbita, dor de cabeça, dores nas costas e musculares, calafrios e ínguas.
Lesões de Pele: Manchas planas que evoluem para bolhas com líquido (pústulas) e, posteriormente, crostas secas.
Localização das lesões: Rosto, boca, olhos, palmas das mãos, solas dos pés e órgãos genitais.
Características: As lesões podem ser muito dolorosas e coçar, durando até a cicatrização total da pele.
Período de Incubação e Transmissão:
Os sintomas aparecem tipicamente de 3 a 16 dias após o contato, podendo chegar a 21 dias.
A transmissão ocorre por contato direto com lesões, fluidos corporais, objetos contaminados (roupas/lençóis) ou vias respiratórias em contatos próximos.
Os casos foram graves?
Até agora, não.
Os dois pacientes apresentaram sintomas semelhantes aos já conhecidos da mpox e não tiveram evolução grave. Além disso, o rastreamento de contatos não identificou novas infecções associadas aos casos.
Isso significa que, pelo menos neste momento, não há evidências de maior gravidade ou transmissibilidade.
A principal preocupação dos especialistas não é a gravidade atual da variante, mas a possibilidade de que ela esteja circulando silenciosamente sem ser detectada.
Essa incerteza acontece porque nem todos os países possuem capacidade ampla de sequenciamento genético, ferramenta essencial para identificar novas variantes.

O risco para a população mudou?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, não.
A avaliação global de risco permanece baixa para a população em geral e moderada apenas para grupos com maior exposição ao vírus.
A recomendação da OMS é manter vigilância ativa, notificação rápida de casos suspeitos e ampliação do sequenciamento genômico em parte das amostras.
O objetivo é simples: detectar rapidamente qualquer sinal de mudança no comportamento do vírus.
O que está acontecendo com a mpox no Brasil?
No Brasil, a doença continua sob monitoramento, especialmente nos grandes centros urbanos.
No estado de São Paulo, foram registrados 44 casos confirmados de mpox apenas em 2026, até o dia 20 de fevereiro. Em 2025, o estado contabilizou 422 casos. Desde 2022, quando o vírus foi confirmado na região, já são mais de 6 mil casos acumulados.
Os números mostram que a doença não desapareceu, mas também indicam um cenário de controle relativo, sem aumento explosivo de infecções.
Por que variantes recombinantes preocupam?
A recombinação genética é um dos mecanismos mais importantes na evolução dos vírus. Ao combinar características de duas linhagens diferentes, uma nova variante pode, em teoria, adquirir vantagens como maior capacidade de transmissão ou escape imunológico.
Isso não aconteceu até agora com a nova cepa da mpox. Mas o histórico de outras doenças virais mostra por que a vigilância precisa ser constante.
Em saúde pública, o perigo não está apenas no que já sabemos sobre um vírus, mas no que ele ainda pode se tornar.
Por isso, o foco das autoridades internacionais não é gerar pânico, mas ampliar a capacidade de detecção e monitoramento.

O que muda para a população?
Na prática, nada mudou nas recomendações gerais.
As orientações continuam as mesmas: atenção a sintomas suspeitos, busca por atendimento médico em caso de lesões ou febre associada, e acompanhamento das informações oficiais das autoridades de saúde.
A boa notícia é que, até o momento, não há sinais de uma nova onda global da doença.
Mas a lição dos últimos anos continua válida. Em um mundo conectado, vírus viajam rápido. E a vigilância científica precisa ser ainda mais rápida.
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