Banco Pleno era ligado ao Master? Quais empresas fazem parte?
Imagine descobrir que um banco onde você investiu ou abriu conta fazia parte de uma rede muito maior do que parecia. Nos últimos meses, essa sensação tomou conta de milhares de investidores após a sequência de liquidações envolvendo instituições ligadas ao chamado Grupo Master. Mas afinal, qual era o tamanho desse ecossistema? E uma das dúvidas mais recorrentes: o Banco Pleno realmente fazia parte dele quando foi liquidado?
A história por trás do conglomerado revela um crescimento acelerado, aquisições estratégicas e uma estrutura complexa que, por um tempo, funcionou como um verdadeiro império financeiro.

O que era o ecossistema do Grupo Master?
O Grupo Master não era apenas um banco tradicional. Sob a liderança do empresário Daniel Vorcaro, o conglomerado se expandiu rapidamente ao adquirir instituições financeiras já existentes, muitas delas em dificuldades. A estratégia era clara: usar licenças prontas e estruturas operacionais para ampliar a oferta de crédito e produtos financeiros.
Esse modelo permitiu um crescimento acelerado, especialmente em áreas como crédito consignado e captação de recursos por meio de CDBs com rentabilidade acima da média do mercado.
Em vez de crescer do zero, o grupo apostou em comprar estruturas prontas e acelerar a expansão.
Com o tempo, o ecossistema passou a reunir bancos, fintechs, corretoras e empresas de gestão de ativos, criando uma rede que atingia desde investidores individuais até grandes operações de crédito.
Quais instituições faziam parte do Grupo Master?
Entre as principais marcas que integraram o ecossistema em diferentes momentos, destacam-se:
Banco Master (antigo Banco Máxima)
Era o núcleo do grupo, com foco em crédito corporativo e captação via renda fixa. Entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025.
Will Bank
Fintech voltada ao público jovem, com conta digital e cartão de crédito. Teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026.
Letsbank
Especializado em Banking as a Service, oferecendo infraestrutura financeira para empresas. Também entrou em liquidação no mesmo período da crise do Master.
Master DTVM (Corretora)
Responsável pela distribuição de títulos e valores mobiliários, peça-chave para a estratégia de captação.
CBSF DTVM
Atuava na gestão e distribuição de ativos e acabou incluída no processo de resolução após investigações regulatórias.
A sequência de liquidações acendeu um alerta no mercado e levantou dúvidas sobre o real alcance do conglomerado.

Banco Pleno fazia parte do Grupo Master?
Essa é uma das perguntas mais importantes após a liquidação do Banco Pleno em fevereiro de 2026. E a resposta é mais complexa do que parece.
Sim, o banco teve ligação com o grupo no passado. Mas não fazia mais parte dele no momento da liquidação.
O Banco Pleno era originalmente o Banco Indusval, fundado em 1991. Após enfrentar dificuldades financeiras, foi reestruturado em 2019 e passou a se chamar Voiter. Em fevereiro de 2024, o Grupo Master anunciou a aquisição da instituição.
Pouco tempo depois, a estrutura mudou novamente.
Em maio de 2024, o sócio Augusto Ferreira Lima deixou o Grupo Master levando alguns ativos. Em julho de 2025, o Banco Central autorizou a reorganização societária: o Voiter foi rebatizado como Banco Pleno e passou a operar de forma independente, sem vínculo jurídico ou societário com o Grupo Master.
Isso explica por que o Banco Pleno não foi afetado diretamente quando o Banco Master entrou em liquidação em novembro de 2025.
Quando o Banco Pleno foi liquidado, em fevereiro de 2026, ele já operava de forma independente há cerca de sete meses.
Após a separação, a instituição adotou uma estratégia própria, focada em crédito consignado e captação com taxas agressivas. Ainda assim, a deterioração financeira levou o Banco Central a decretar sua liquidação por falta de liquidez e descumprimento de normas.

Como o grupo cresceu tão rápido?
O crescimento acelerado do ecossistema Master foi resultado de um modelo baseado em aquisições sucessivas. Em vez de construir operações do zero, o grupo comprava instituições com autorização para funcionar e as integrava à sua estratégia.
Esse tipo de expansão pode gerar escala rapidamente, mas também aumenta a complexidade operacional e os riscos de gestão.
No caso do Grupo Master, a combinação de crescimento agressivo, captação elevada e deterioração financeira em algumas operações acabou levando à intervenção regulatória.
O que a crise revela sobre o sistema financeiro?
A sequência de liquidações trouxe um aprendizado importante para investidores e clientes: nem sempre as conexões entre instituições são claras, e estruturas societárias podem mudar rapidamente.
Também mostrou como o sistema financeiro depende de confiança, liquidez e gestão de riscos. Quando esses elementos se desequilibram, o impacto pode se espalhar por várias marcas e operações.
No fim das contas, o caso do Grupo Master revela algo maior do que a queda de um banco. Ele mostra como o mundo financeiro moderno é interligado, dinâmico e, muitas vezes, mais complexo do que parece.
E talvez a principal lição seja esta: entender a estrutura por trás de uma instituição pode ser tão importante quanto escolher o investimento em si.
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