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Aparecida,24/02/2026

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Casa de Mainha conquista prêmio global de arquitetura em 2026

jaimaginouisso.com.br
Casa de Mainha conquista prêmio global de arquitetura em 2026

Algumas casas impressionam pelo luxo. Outras, pelo tamanho. Mas existe um tipo de arquitetura que emociona por um motivo muito mais profundo: ela conta uma história.


No interior de Pernambuco, em uma cidade pequena e longe dos grandes centros, uma casa simples, feita com materiais locais e cheia de memória afetiva, conquistou um dos prêmios mais importantes da arquitetura mundial. O nome já entrega o espírito do projeto: Casa de Mainha.


E talvez seja justamente isso que tenha encantado o mundo.


Localizada em Feira Nova, cidade com cerca de 20 mil habitantes, a Casa de Mainha é o lar da costureira Dona Marinalva
Localizada em Feira Nova, cidade com cerca de 20 mil habitantes, a Casa de Mainha é o lar da costureira Dona Marinalva



O que é a Casa de Mainha?


Localizada em Feira Nova, cidade com cerca de 20 mil habitantes, a Casa de Mainha é o lar da costureira Dona Marinalva, de 59 anos. O projeto foi assinado pelo próprio filho, o arquiteto Zé Vágner, de 33 anos.


A residência original foi construída em 1980 por moradores da própria comunidade. No ano passado, ela passou por uma reforma completa, sem perder sua essência.


O resultado foi reconhecido internacionalmente: a casa venceu o prêmio Building of the Year 2026, promovido pelo ArchDaily, um dos maiores portais de arquitetura do mundo. Foi o único projeto brasileiro premiado na edição.



Às vezes, a arquitetura mais poderosa não é a mais cara, mas a que entende o lugar, o clima e as pessoas que vivem ali.



O resultado foi reconhecido internacionalmente: a casa venceu o prêmio Building of the Year 2026
O resultado foi reconhecido internacionalmente: a casa venceu o prêmio Building of the Year 2026



O que torna essa casa tão especial?


A reforma não buscou luxo ou ostentação. O objetivo era melhorar o conforto e a saúde da moradora, que enfrentava problemas respiratórios.


Para isso, o projeto seguiu princípios simples e eficientes:




  • Ventilação cruzada para renovar o ar




  • Iluminação natural abundante




  • Uso de materiais locais e naturais




  • Integração entre os ambientes




  • Redução de custos de manutenção




A casa tem 165 metros quadrados e foi pensada para funcionar em harmonia com o clima quente do Nordeste.


As paredes de adobe, feitas de terra crua, foram mantidas. Esse material tradicional ajuda a manter a temperatura interna mais estável, reduzindo o calor ao longo do dia.


A reforma não buscou luxo ou ostentação. O objetivo era melhorar o conforto e a saúde da moradora
A reforma não buscou luxo ou ostentação. O objetivo era melhorar o conforto e a saúde da moradora



Como o clima influenciou o projeto?


Uma das grandes qualidades da Casa de Mainha é o chamado conforto ambiental. Em vez de depender de ar-condicionado ou soluções tecnológicas caras, o projeto usa estratégias naturais.


O pé-direito foi ampliado com telhados em diferentes inclinações, permitindo melhor circulação do ar quente. Na fachada oeste, foram instalados cobogós, aqueles blocos vazados típicos da arquitetura nordestina.


Além de melhorar a ventilação, eles criam um efeito de luz e sombra que transforma a fachada em uma espécie de escultura viva ao longo do dia.


Cinco espaços pouco utilizados foram demolidos para dar lugar a:




  • Uma sala de estar mais ampla




  • Um jardim interno




  • Um terraço aberto




Portas antigas foram restauradas, e painéis de concreto pré-moldado foram usados como brises de proteção solar e até como bancos no terraço.


Uma das grandes qualidades da Casa de Mainha é o chamado conforto ambiental
Uma das grandes qualidades da Casa de Mainha é o chamado conforto ambiental



E o toque cultural?


Mais do que funcional, a casa também celebra a identidade local.


O projeto incorporou:




  • Ladrilhos típicos de Olinda




  • Cerâmicas regionais




  • Paredes em tons quentes, como o amarelo gema




  • Elementos artesanais




O resultado é um espaço que transmite exatamente aquilo que o nome sugere: a sensação de acolhimento de uma casa de mãe.


Não é uma casa de revista. É uma casa de vida real.


Por que o mundo se interessou por um projeto simples?


A arquitetura contemporânea vive um momento de mudança. Em vez de construções monumentais e caras, cresce o interesse por soluções sustentáveis, acessíveis e conectadas ao território.


A Casa de Mainha reúne tudo isso:




  • Baixo custo




  • Materiais locais




  • Mão de obra da comunidade




  • Eficiência térmica e energética




  • Valorização cultural





Em um mundo que busca soluções sustentáveis, projetos simples e inteligentes podem ser mais revolucionários do que grandes obras milionárias.



Esse reconhecimento mostra que inovação não depende de tecnologia de ponta. Muitas vezes, ela está em olhar para o que já existe e fazer melhor.


Esse reconhecimento mostra que inovação não depende de tecnologia de ponta
Esse reconhecimento mostra que inovação não depende de tecnologia de ponta



O Brasil já teve outros destaques?


Sim. Outros projetos brasileiros já foram premiados em edições anteriores do Building of the Year.


Em 2016, uma casa de concreto na Vila Matilde, em São Paulo, venceu na mesma categoria. Em 2023, uma residência construída em uma favela de Belo Horizonte também foi reconhecida.


Esses exemplos mostram um padrão: a arquitetura brasileira que chama atenção no mundo é aquela que resolve problemas reais, com criatividade e eficiência.


O que a Casa de Mainha representa?


Mais do que um prêmio, o projeto simboliza uma mudança de perspectiva.


Ele mostra que:




  • Arquitetura não precisa ser cara para ser boa




  • Soluções locais podem ter impacto global




  • Cultura e identidade importam tanto quanto estética




  • Conforto pode vir da inteligência, não do luxo




Já imaginou isso?


Uma casa simples do interior, feita com tijolos de terra, ventilação natural e memórias de família, competindo com projetos do mundo inteiro e saindo vencedora.


Às vezes, o futuro da arquitetura não está nas grandes cidades. Está nas casas que entendem as pessoas que vivem dentro delas.




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