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Aparecida,25/02/2026

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PL antifacção tem aumento de penas, mas sem taxação de bets

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PL antifacção tem aumento de penas, mas sem taxação de bets

Imagine uma votação em Brasília capaz de mudar a forma como o país enfrenta o crime organizado. De um lado, a pressão por respostas mais duras contra facções. Do outro, disputas políticas sobre como financiar a segurança pública. No meio desse cenário, uma decisão que pode impactar estados, municípios e o combate às organizações criminosas em todo o Brasil.


Na noite de 24 de fevereiro, a Câmara dos Deputados aprovou o chamado PL Antifacção, um projeto que endurece a legislação contra organizações criminosas. O texto agora segue para sanção presidencial e pode se transformar em lei nos próximos dias.


Mas, apesar do avanço, um dos pontos mais debatidos ficou de fora: a tributação das apostas esportivas, as chamadas bets, que poderia gerar bilhões para a área de segurança.


O plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
O plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados



O que é o PL Antifacção?


O projeto tem como principal objetivo fortalecer o combate ao crime organizado no país, ampliando instrumentos legais para enfrentar facções que atuam dentro e fora do sistema prisional.


Entre os pontos centrais da proposta estão medidas que aumentam o rigor na repressão às organizações criminosas, além de mudanças na forma de distribuição de recursos destinados à segurança pública.


O texto aprovado pela Câmara retomou a versão original da Casa, com apenas algumas alterações feitas anteriormente pelo Senado.



O projeto parte de uma premissa clara: enfrentar facções exige não apenas operações policiais, mas também mudanças estruturais na legislação e na gestão de recursos.



A proposta foi analisada em regime de urgência constitucional, o que travou a pauta da Câmara e acelerou sua votação.


O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Guilherme Derrite (PP-SP). — Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o deputado Guilherme Derrite (PP-SP). — Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados



Por que o projeto voltou para análise?


O PL já havia sido aprovado anteriormente, mas precisou retornar à Câmara após o Senado fazer modificações no conteúdo.


O relator, deputado Guilherme Derrite, decidiu manter a maior parte da versão original da Câmara, retirando algumas mudanças incluídas pelos senadores.


Essa decisão gerou críticas dentro da base governista, especialmente por pontos considerados sensíveis para a estrutura federal de segurança.


Entre os temas mais debatidos esteve a redistribuição de recursos, que pode impactar a autonomia de órgãos como a Polícia Federal.


O que aconteceu com a taxação das bets?


O ponto mais polêmico da proposta envolvia a criação da chamada Cide-Bets, uma contribuição sobre apostas esportivas.


A ideia era simples: usar parte da arrecadação do setor para financiar ações de segurança pública e o sistema prisional.


Segundo estimativas apresentadas no Senado, essa medida poderia gerar cerca de R$ 30 bilhões por ano.


Apesar disso, durante a votação no plenário, deputados aprovaram uma emenda que retirou a tributação das casas de apostas do texto final.


A decisão foi defendida por partidos do chamado centrão, mas gerou forte reação da base governista, que considerava a medida essencial para garantir recursos ao setor.


A decisão foi defendida por partidos do chamado centrão, mas gerou forte reação da base governista
A decisão foi defendida por partidos do chamado centrão, mas gerou forte reação da base governista



Como o projeto pode impactar a segurança pública?


Sem a nova fonte de financiamento das bets, o impacto do projeto dependerá principalmente da redistribuição e da gestão dos recursos já existentes.


O texto prevê maior participação de estados e municípios no acesso a verbas, o que pode fortalecer ações locais de combate ao crime organizado.


Ao mesmo tempo, críticos apontam que a retirada de recursos federais ou mudanças na estrutura de repasses podem enfraquecer órgãos nacionais responsáveis por investigações de grande escala.



A discussão central não é apenas sobre endurecer leis, mas sobre como financiar e organizar a estrutura de segurança em um país continental.



Especialistas em segurança pública costumam destacar que o combate ao crime organizado exige integração entre inteligência, investigação e atuação local.


A discussão central não é apenas sobre endurecer leis, mas sobre como financiar e organizar a estrutura de segurança
A discussão central não é apenas sobre endurecer leis, mas sobre como financiar e organizar a estrutura de segurança



O que acontece agora?


Com a aprovação na Câmara, o projeto segue para sanção presidencial. O governo poderá sancionar integralmente, vetar trechos específicos ou devolver o texto ao Congresso.


Caso seja sancionada, a nova lei passará a valer após a publicação oficial.


A votação também revela um cenário político importante: tanto governo quanto oposição demonstraram interesse em aprovar medidas de combate ao crime, mas divergiram sobre a forma de financiamento.


O debate por trás da decisão


O PL Antifacção expõe um dilema recorrente nas políticas públicas brasileiras: a pressão por respostas rápidas diante da violência e a dificuldade de definir fontes estáveis de financiamento.


Ao retirar a taxação das apostas, o Congresso evitou aumentar a carga sobre um setor em expansão, mas também abriu mão de uma possível arrecadação bilionária para a segurança.


Já imaginou isso?


Uma lei criada para combater o crime organizado que pode mudar a distribuição de recursos em todo o país… e que deixou de fora uma fonte capaz de arrecadar bilhões por ano.


No Brasil, o combate à violência não passa apenas por operações policiais. Ele também é decidido em votações que acontecem longe das ruas, mas que impactam diretamente a segurança de todos.




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