Fundo eleitoral supera verba do CNPq para ciência em 2026
Imagine um país que precisa decidir entre financiar campanhas eleitorais ou investir em pesquisas que podem curar doenças, criar tecnologias e impulsionar a economia. Parece um dilema hipotético, mas ele está escrito, em números reais, no orçamento brasileiro de 2026.
Neste ano, o fundo partidário e o fundo eleitoral devem somar R$ 5,9 bilhões. No mesmo período, o orçamento previsto para o CNPq, a principal agência de fomento à pesquisa científica do país, será de R$ 1,73 bilhão.
A conta é direta. Partidos políticos receberão cerca de 3,4 vezes mais recursos públicos do que a instituição responsável por financiar bolsas de estudo, pesquisas e inovação no Brasil.
Mas a discussão vai muito além dos números.

O que são o fundo eleitoral e o fundo partidário?
Os dois mecanismos foram criados para financiar o funcionamento da democracia brasileira.
O fundo partidário sustenta a estrutura das legendas, incluindo despesas administrativas, formação política e manutenção das atividades ao longo do ano.
Já o fundo eleitoral é destinado às campanhas, ajudando candidatos a financiar propaganda, deslocamentos e estratégias durante as eleições.
A lógica por trás desses recursos é reduzir a dependência de doações privadas e tornar o processo eleitoral mais equilibrado e transparente.
No entanto, quando esses valores são comparados com áreas estratégicas como ciência e tecnologia, surge uma pergunta inevitável.
Que tipo de futuro um país está financiando quando investe mais em campanhas do que em conhecimento?
O que faz o CNPq e por que ele é importante?
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq, é o principal motor da ciência brasileira.
É por meio dele que milhares de pesquisadores recebem bolsas para:
Pós-graduação e doutorado
Projetos científicos em universidades
Estudos em saúde, tecnologia e meio ambiente
Desenvolvimento de inovação industrial
Essas pesquisas não ficam restritas aos laboratórios. Elas impactam diretamente o cotidiano da população.
Vacinas, novos medicamentos, tecnologias agrícolas, soluções energéticas e avanços em inteligência artificial muitas vezes começam com projetos financiados pelo CNPq.
Um exemplo recente é o trabalho da pesquisadora Tatiana Coelho Sampaio, que lidera estudos sobre polilaminina, uma proteína que pode ajudar na regeneração de conexões nervosas. Projetos como esse mostram como o investimento em ciência pode transformar vidas.

Por que o investimento em ciência é estratégico?
Países que lideram a economia global têm algo em comum: investimento contínuo em pesquisa e inovação.
Economias baseadas em conhecimento conseguem:
Aumentar produtividade
Criar tecnologias próprias
Reduzir dependência externa
Gerar empregos qualificados
Atrair investimentos internacionais
Quando o financiamento científico é reduzido ou estagnado, o impacto aparece ao longo do tempo.
Menos bolsas significam menos pesquisadores.
Menos pesquisadores significam menos inovação.
E menos inovação significa perda de competitividade.
Ciência não é gasto imediato. É investimento que define a posição de um país nas próximas décadas.

O debate não é ciência contra democracia
É importante destacar que o financiamento político também tem seu papel. Ele ajuda a garantir eleições mais acessíveis e reduz a influência excessiva do poder econômico privado.
O verdadeiro debate está na alocação estratégica de recursos públicos.
Quanto deve ir para a estrutura política?
Quanto deve ir para o desenvolvimento científico?
Como equilibrar o funcionamento da democracia com a construção do futuro econômico e tecnológico?
Essa discussão envolve escolhas de longo prazo e visão de país.
O impacto no futuro do Brasil
O contraste entre os valores chama atenção porque revela prioridades.
Enquanto campanhas eleitorais acontecem a cada dois anos, a construção de uma base científica sólida leva décadas.
Sem investimento consistente, talentos deixam o país, laboratórios ficam sem recursos e projetos promissores são interrompidos.
Por outro lado, quando a ciência recebe atenção, os resultados aparecem em forma de crescimento econômico, autonomia tecnológica e melhoria da qualidade de vida.
Já imaginou isso?
Em 2026, o Brasil investirá bilhões para decidir quem governará o país. Mas investirá muito menos para desenvolver as soluções que esse mesmo país precisará no futuro.
No fim das contas, a pergunta não é apenas sobre números.
É sobre escolha.
Que tipo de Brasil queremos financiar?
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