Erupção solar X8.1 atinge a Terra de raspão e acende alerta
Era para ser apenas mais um domingo de monitoramento rotineiro do Sol. Mas, em poucas horas, o que parecia tranquilo virou um alerta global. A nossa estrela entrou em um surto raro de atividade, disparando uma sequência de erupções tão intensas que parte do material lançado no espaço acabou alcançando a Terra antes do previsto. O resultado? Perturbações no campo magnético do planeta e a possibilidade de auroras em regiões incomuns nas próximas horas.
Segundo registros recentes, o Sol produziu 26 erupções solares em sequência, com destaque para um evento de classe X8.1, considerado extremamente poderoso. Mesmo sem atingir a Terra de forma direta, a força da explosão foi suficiente para gerar efeitos mensuráveis na magnetosfera terrestre.
Quando o Sol “espirra”, a Terra sente o impacto, mesmo a milhões de quilômetros de distância.

O que aconteceu no Sol nos últimos dias?
No domingo, dia 1º, instrumentos espaciais registraram uma atividade fora do padrão. A erupção de classe X8.1 foi a terceira mais potente já observada no atual ciclo solar, que começou em dezembro de 2019. O material ejetado nessa explosão, conhecido como ejeção de massa coronal, chegou à Terra na quarta-feira, dia 4, um dia antes do previsto.
De acordo com dados analisados por plataformas internacionais de clima espacial e confirmados por agências como a NASA e a NOAA, magnetômetros espalhados pelo planeta detectaram variações claras no campo magnético terrestre, sinal de que o impacto foi real, ainda que moderado.
O que é uma erupção solar de classe X?
As erupções solares são classificadas de acordo com a intensidade dos raios X liberados. A escala vai das classes A, B e C, consideradas fracas, até M e X, que representam os eventos mais extremos. Cada nível é dez vezes mais intenso que o anterior.
No caso das erupções de classe X, o número associado indica o grau de força. Um evento X8.1, por exemplo, é mais de oito vezes mais poderoso que um X1. Essas explosões costumam lançar grandes quantidades de plasma e campos magnéticos para o espaço, capazes de interferir em satélites, comunicações e redes elétricas.

Tempestades geomagnéticas: o que pode acontecer agora?
O impacto registrado até o momento aponta para tempestades geomagnéticas de intensidade G1 a G2, classificadas como leves a moderadas. Em um cenário G1, os efeitos tendem a ser sutis, com pequenas flutuações em redes elétricas e interferências mínimas em satélites.
Já em uma situação G2, os efeitos se tornam mais perceptíveis. Sistemas elétricos em altas latitudes podem registrar alarmes de tensão, satélites podem exigir correções de orientação e a comunicação por rádio de alta frequência pode sofrer interrupções temporárias. Um dos efeitos mais visíveis, no entanto, é a intensificação das auroras, que podem aparecer em latitudes mais baixas do que o normal.
A mancha solar que agora “aponta” para a Terra
Um fator que mantém os cientistas em alerta é a gigantesca mancha solar AR4366, responsável pelas erupções mais recentes. Ela possui um campo magnético do tipo delta, uma configuração rara e instável, que aumenta significativamente o risco de novas explosões intensas.
Com a rotação do Sol, essa região ativa passou a ficar diretamente voltada para a Terra. Isso significa que qualquer nova ejeção de massa coronal lançada dali pode atingir o planeta de frente, ampliando os efeitos geomagnéticos nos próximos dias.
Não é o fim do mundo, mas é um lembrete poderoso de como o Sol influencia a vida na Terra.
Um ciclo solar cada vez mais intenso
O atual ciclo solar tem se mostrado mais ativo do que o previsto inicialmente. Antes da erupção X8.1, os recordes do ciclo pertenciam a eventos de classe X8.7, em maio de 2024, e X9.1, em outubro do mesmo ano, o mais forte até agora.
Esses números reforçam que estamos vivendo uma fase de alta atividade solar, em que explosões desse tipo se tornam mais frequentes. Para os cientistas, acompanhar esses fenômenos é essencial não apenas para proteger tecnologias sensíveis, mas também para compreender melhor o comportamento da nossa estrela.
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